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TESTEMUNHOS
A
Graça do Perdão
Sete homens armados invadem uma agência bancária na
região metropolitana de São Paulo. Aos gritos,
dominam funcionários e clientes e começam a recolher
o dinheiro dos caixas. Enquanto a ação prossegue, um
bebê no colo da mãe começa a chorar. Irritado, um
dos assaltantes manda que a mãe controle a criança,
mas, nervosa, a professora de balé Laura Tomarevski
não consegue fazer a pequena Thalita, de apenas oito
meses, parar de chorar.
Com frieza, o bandido dispara um único tiro, que
atravessa a cabeça do bebê e atinge o peito da mãe,
matando ambas. O episódio brutal aconteceu em 1983,
mas poderia ter ocorrido hoje, dado o
recrudescimento da violência com requintes de
crueldade que assola as grandes cidades brasileiras,
como Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse lapso de
tempo que já dura quase 25 anos, contudo, muita
coisa mudou na vida das pessoas envolvidas naquela
tragédia urbana – e dois protagonistas do episódio
devem à fé em Cristo o final feliz que a história
teve depois de tanto tempo. O assalto à agência do
Banco Itaú de São Caetano do sul (SP) ganhou as
páginas do noticiário nacional e internacional.
Àquele tempo, crimes brutais ainda não eram
tristemente comuns como hoje – e a comoção da
sociedade diante do estúpido assassinato de Laura
Tomarevski uma jovem de apenas 21 anos, e da pequena
Thalita só não foi maior que o espanto diante da
atitude de Vladimir Tomareviski no enterro da mulher
e da filha. Não tenho ódio de quem fez isso, pois
meu coração não tem espaço para odiar, declarou o
então estudante de engenharia de 25 anos de idade. A
violência é resultado da ausência de Deus no coração
das pessoas, disse ele aos repórteres, diante da
sepultura aberta para receber sua mulher e a filha.
O
depoimento, proferido em um tom de serenidade
incompreensível para quem não crê nas promessas
bíblicas sobre a paz que excede todo entendimento,
foi uma lição de fé para todo o Brasil. Logo após o
disparo do ladrão, a polícia invadiu a agência e
executou cinco dos assaltantes. No enterro, Vladimir
ainda declarou que lamentava a morte do assassino
das pessoas que mais amava na vida: Sinto muito que
o bandido tenha morrido sem Cristo. Impressionados
com seu depoimento, diversos delegados e diretores
de presídios começaram a solicitar sua presença. Os
presos de várias cadeias do estado de São Paulo
queriam conhecer aquele homem. Em uma dessas
ocasiões, em uma penitenciária de Rio Claro, no
interior paulista, Vladimir falou aos presos sobre
salvação, arrependimento e o amor de Deus pelo
homem.
Preguei a mesma mensagem que foi usada na conversão
de Laura,sobre a necessidade de um novo nascimento
com Jesus, disse na ocasião. Naquele dia, todos os
150 detentos atenderam ao apelo para a conversão ao
Evangelho.E , assim, o jovem viúvo viu-se da noite
para o dia na condição de evangelista carcerário.
Certeza – Hoje, aos 48 anos, Vladimir Tomarevski
mora na cidade de Timbó(SC), onde é diretor de uma
empresa. Ele reconstruiu sua vida e, em 1988,
casou-se pela segunda vez, com Ana, e tem 3 filhos
adolescentes. A respeito de Laura e Thalita, tem
recordações e palavras carinhosas: “A salvação é
nossa grande certeza. Sei que elas estão com o
Senhor; não há melhor consolo do que esse”,
afirma.Mas a história não termina aí. O crime de São
Caetano ainda renderia mais frutos para o Reino de
Senhor. O tenente da Polícia Militar Luís Wilson
Pereira da Silva também viu sua vida virar de pernas
para o ar naquele fatídico 31 de outubro de 1983.
Ele presenciou a morte de Laura enquanto tentava
socorrê-la. Inconformado com a crueldade dos
bandidos e com a falta de punição em boa parte dos
casos, Wilson decidiu fazer “justiça” com as
próprias mãos: tornou-se um matador. Resolvi que não
prenderia mais bandidos. Eu mesmo julgava e
condenava. Levava o criminoso para o tribunal e lá
aplicava a pena capital, lembra. O policial montou
um grupo de extermínio que começou a levar o terror
à marginalidade da zona leste de São Paulo. “Não sei
quantas pessoas matei. Não me orgulhava de matar –
fazia isso porque achava que era o correto”, conta.
Preso em 1989 e expulso da corporação, Luís Wilson
foi condenado a 43 anos de prisão e recolhido à
Penitenciária Militar Romão Gomes, na capital
paulista. “Era uma vergonha muito grande para mim,
um policial, ter sido condenado como um bandido”.
Mesmo atrás das grades, contudo, o ex – tenente
continuou se impondo pela força. Em 1995, surgiu a
oportunidade de ver seu regime progredir para o semi
– aberto – poderia passar o dia fora da cadeia,
retornando a ela para passar a noite. O benefício
dependia de um exame criminológico que aferiria se
Wilson possuía condições de viver em sociedade. Um
bom comportamento era fundamental no processo.
Foi então que ele teve uma idéia. Dentro da
penitenciária, os detentos que tinham-se tornado
evangélicos montaram um templo improvisado em uma
sala. Ali, diariamente, havia cultos abertos à
comunidade carcerária. “Pensei: vou freqüentar o
culto dos crentes, para o pessoal pensar que eu
mudei”, conta. Mas a pregação da Palavra de Deus
tocou seu coração. O matador sentiu algo
diferente:”Toda minha máscara caiu naquele momento.
Vi que eu era fraco e que precisava de Deus”,
recorda – se. Conversão – Em uma tarde de dezembro
de 1995, o ex – policial teve uma experiência com
Jesus. Sozinho no pátio da prisão, começou a orar e
a clamar pelo perdão divino. Embora radiante com sua
conversão, Wilson logo receberia uma “ducha de água
fria” – o laudo para sua soltura fora negado.
“Fiquei triste, mas senti Deus falar ao meu coração:
“Pede – me o que mais queres”. Respondi que o que
mais queria era poder passar para o regime semi –
aberto”. Wilson ficou sabendo que sua única chance
era que o juiz responsável por seu alvará
contrariasse o laudo, algo bastante improvável. Mas
o milagre ocorreu.
“Um dia, o diretor do presídio me chamou, com um
telegrama na mão. O juiz havia autorizado o semi –
aberto”, conta. Convicto de que Deus estava cuidando
de sua vida, Wilson começou a trabalhar extra –
muros e a participar de estudos bíblicos na Igreja
Metodista Central de São Paulo. Hoje vive lá, junto
com sua mulher, que trabalha como caseira do templo.
“Deus mudou minha vida. Eu sei que nunca poderei
pagar pelos meus pecados e pelas pessoas que
executei. A única coisa que posso fazer é levar a
Palavra de Jesus por onde eu for tirando quantos
puder dos laços do diabo”. E, assim, a história do
bárbaro crime de São Caetano do Sul acabou marcando
para sempre duas vidas: de um lado, Vladimir
Tomarevski, vitimado pela crueldade humana,
encontrou paz, consolo e segurança em Jesus; já o ex
– policial Luís Wilson Pereira da Silva, revoltado
com a tragédia, percorreu os caminhos mais escuros
até encontrar a luz de Cristo. Nos dois casos, só a
graça e o perdão divino foram capazes de trazer a
paz – uma lição que a sociedade de hoje, tão
embrutecida pela violência, precisa aprender o
quanto antes. Fábio Xavier – Mtr.194-875 – R: 3 C:
323 – P 2 – CXP 54 – CEP 16600-000 – Pirajuí – SP. |
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