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A EVANGELIZAÇÃO NOS PRESÍDIOS

A população carcerária, em
crescente aumento, superlota os presídios e
casas de detenções. Falta espaço nas celas,
sobra violência nas ruas. Da mesma forma
encontram-se as clínicas de recuperação para
dependentes químicos, onde a demanda é
extremamente maior do que elas podem
suportar. Há de ressaltar o envolvimento na
recuperação e ressocialização desse público,
mas o trabalho desenvolvido, ainda é ínfimo
e tímido, e as vezes negligenciado até pela
igreja evangélica. Veja abaixo belos
exemplos:
Uma vez por semana, sempre à
tarde, Marta Alves Pereira Passos, se
prepara para um compromisso que já dura sete
anos. Com a Bíblia na mão e uma equipe
formada por mais duas pessoas, ela parte
para a Casa de Custódia de Viana, um dos
cárceres do sistema prisional capixaba,
considerado por ela um dos presídios mais
perigosos e difícieis de trabalhar. Mas,
Marta, não se intimida, pelo contrário, ela
entra, conversa, aconselha, ora e dá
acompanhamento aos presos, políciais e
agentes do presídio.
Marta, também já atuou na
Penitenciária Feminina de Tucum. Aliás, foi
lá que ela iniciou seu trabalho em
presídios, onde ao longo desses sete anos,
já esteve em meio a uma rebelião, fez parte
de negociações e conseguiu impedir
assassinatos. Durante dois anos, Marta,
também foi proibida de entrar nos presídios
devido ao clima de insegurança. Porém, ela
não esmoreceu, pelo contrário, ela ía para a
porta do presídio e orava, perseverante, do
lado de fora. Palavras de Marta: "É um
trabalho dificil, eu prego o Evangelho e o
meu desejo é que cada pessoa ali naquele
presídio, seja alcançada pela misericórdia
de Deus. E não só os presos, mas os
policiais e os agentes, também são alvos do
trabalho."
Nada fácil também é o
trabalho do pastor José Carlos Passos, que
coordena uma associação de amparo e
recuperação de drogados em Pitanga, na
Serra. Que juntamente com uma equipe
fornada por médico, assistente social,
psicólogo, terapeuta, pastores e monitores;
se dedica em tempo integral à recuperação de
dependentes químicos, onde a associação já
existe há 13 anos, resgatando jovens do
mundo das drogas.
Assim como Marta e o pastor
José Carlos, alguns outros, ainda poucos
também abrem mão de suas prioridades para se
dedicarem de forma tão especial à
recuperação de outros. Então fica-se a
pergunta no ar: O que os move a fazer
isso? Será vocação? É um chamado? Ou é
apenas compaixão pelas almas?
A resposta é: Ainda que
essas pessoas sejam as motivações, elas
primeiramente entenderam a conexão entre
pregar e viver o Evangelho de Cristo; entre
ouvir e obedecer à Deus; entre fé e as
obras; entre a real necessidade das pessoas
e a atuação relevante por parte da igreja.
MISSÃO DA IGREJA
"De que adianta, meus irmãos,
alguém dizer que tem fé, se não tem obras?
...Assim também a fé, por si só, se não for
acompanhada de obras, está morta" (Tiago 2:
14,17). Vemos que as palavras do apóstolo
Tiago, para a igreja, são claras. Mais do
que apenas dizer que crê, o povo de Deus, é
encorajado e desafiado pelo apóstolo a
demonstrar em atitudes práticas, a razão de
serem chamados cristãos. E o mesmo povo que
é chamado para a salvação, também é chamado
para cumprir uma grande missão.
"Deus não nos chamou apenas
para ficarmos sentados nos bancos das
igrejas, mas também para atuar no social. O
Ide de Jesus, é também isso. Os projetos
sociais são ferramentas importantes para
levar a Palavra de Deus, aos corações
daqueles que precisam, de uma forma real. A
igreja tem um papel fundamental na vida das
pessoas, principalmente de quem está a
margem da sociedade, sem perspectiva, sem
esperança. A igreja é uma das principais
instituições responsáveis pela
ressocialização, já que tem a missão de amar
o próximo e à Deus. Quando a igreja tam a
visão de aproximação, ela está permitindo
que o individuo volte, que ele seja
resgatado e ressocializado para o meu em que
vive", disse Eliane Lopes da Rocha Campos,
que é assistente social.
E foi essa postura que
alcançou Celso Godoy, quando ele cumpria
pena num presídio em Salvador (BA). Hoje
pastor, Celso Godoy, é grato ao trabalho
comprometido de pessoas que não mediram
esforços para vê-lo salvo e recuperado.
Palavras do pastor Celso Godoy: "Alguns
voluntários do sistema prisional em Salvador
(BA), trabalharam insistentemente para que
eu pudesse conhecer a verdade do Evangelho
de Cristo. E dentre eles, destaco a pessoa
de Josias Vilela, de Feira de Santana, que
saía de sua cidade, distante cerca de 100
quilômetros da penitenciária, onde eu
estava, para falar e demonstrar o amor de
Deus, por mim e pelos meus companheiros de
cárcere. O resultado deste investimento foi
a minha vida atual e a de muitos outros, que
devem estar por este Brasil afora pregando o
Evangelho da Graça de Cristo, que salva,
liberta e transforma o cidadão", contou o
pastor Celso Godoy, que hoje também atua em
ministérios de missões urbanas e ações
social.
Quem já foi dependente
químico e sentiu na pele as terríveis crises
de abstinência, sabe também o quanto é
dificil alcançar a recuperação e a
libertação. E é justamente aí que o
trabalho incansável dos monitores dos
centros de recuperação, em sua maioria
também ex-dependentes, faz a diferença,
sendo uma fonte de esperança e força para
tirar muitos de um caminho que costuma não
ter volta.
"Eu tinha 19 anos, quando me
internei numa clínica no Rio de Janeiro.
Fiquei seis meses. O coordenador da casa,
que era um pastor, cuidava mesmo da gente,
mostrava amor e preocupação. Eu aprontava,
eu não era fácil, mas ele nunca deixou de
acreditar na minha recuperação. Ele sempre
dizia que eu era um milagre. e hoje o meu
testemunho encoraja os outros, hoje eu sou
um referencial", conta Felix Araujo, que
após nove anos depois de ser internado, é
monitor em uma associação de amparo e
recuperação de drogados, onde passar tudo o
que aprendeu com o pastor, aos internos.
O QUE FAZER???
O alto custo de se manter um
projeto, a estrutura ideal para
desenvolvê-lo, a mão de obra necessária a
ser controlada e toda a burocracia de
documentos e registros, entre outros, são
alguns dos aspectos que assustam quem quer
iniciar um projeto social. No entanto, para
Elaine, isso é passível, basta querer. "É
um pouco dificil, mas se tiver boa vontade é
possível sim. A igreja não precisa fazer
nada sozinha. Ela pode se unir com outras
igrejas, sem inveja, vaidade e soberba, onde
por exemplo, uma igreja entra com o imóvel,
a outra igreja pode entrar com a mão de
obra, e aí por diante. E elas nessa unidade
podem desenvolver o projeto, juntas; e todos
sairiam ganhando, inclusive o Reino de
Deus!", disse Eliane.
"E para quem quer iniciar um
projeto social, principalmente na área de
drogalização, a assistente social, orienta
para que se comece com palestras de
conscientização primeiro dentro da igreja.
As primeiras pessoas a serem trabalhadas são
os membros da igreja. Hoje há muitos filhos
de líderes que enfrentam problemas com as
drogas, mas tem medo de se expor. Por isso
a igreja precisa trabalhar com a família.
Depois a igreja pode começar a dar palestras
sobre esse assunto para os jovens da
congregação e para ps da comunidade também.
Há muitos lugares onde se montam grupos
terapêutas, em que pessoas trocam
experiências e se ajudam mutuamente. A
igreja pode, por exemplo, ceder o espaço
físico para essas reuniões. Os membros
podem dar o suporte no que for preciso",
orientou Eliane.
Mas se o intuito da igreja
for montar um centro de recuperação, ela
precisa ter uma entidade social registrada,
é preciso fazer estatuto, manter diretoria,
ter espaço adequado e três profissionais
adequado: o psicólogo, um enfermeiro ou
médico e um assistente social, além do
educador social que vai trabalhar com os
internos. a questão financeira precisa
também ser bem definida.
Já a psicóloga Quésia da
Cunha Oliveira, que também é diretora de
Ressocialização da Secretaria de Justiça do
Estado do Espírito Santo, diz: "que o
trabalho desenvolvido no sistema prisional,
é visto com bons olhos, onde ela não só
apóia como garante que o trabalho reduz a
reincidência do detento em novos crimes. O
trabalho espiritual traz novas perspectivas,
que contribui para um padrão de conduta e
valor, diminui a dor que o aprisionamento
causa à pessoa. Esse trabalho soma muito
com o Estado. É mais uma força que se
agrega em prol de um mesmo objetivo", afirma
Quésia, que atua a 13 anos no sistema
prisional. Ela porém, ressalta, que é
necessária uma melhor capacitação técnica e
emocional dos voluntários e também uma maior
atenção à família dos presidiários, já que é
para a família que os detentos retornam após
o cumprimento da pena.
UM TRABALHO QUE GRATIFICA
Não por dinheiro, nem por
falta de alternativa, nem por possível
ascenção social. Quem se doa para atuar em
projetos socias, se motiva pelo simples e ao
mesmo tempo grandioso fato de poder
influenciar na transformação de uma vida.
"Eu também sou um ex-dependente, e acredito
que Deus, tira a gente de determinados
caminhos, para que a gente ajude os outros.
Esse trabalho me realiza. Uma vida
reestruturada é melhor do que o meu
salário", disse o pastor José Carlos Passos.
Já a estudante Francielly
Duarte da Silva, pode ter a mesma
constatação. Ela e sua equipe foram para a
porta do presídio de Colatina, para ouvir e
evangelizar os familiares dos presos.
"Estávamos com um colete escrito: Posso te
dar um abraço? E ao ler isso, uma das
mulheres que estavam ali, me abraçou e
começou a chorar. Seu marido estava preso e
ela não podia visitá-lo. Então eu vi o
quanto as pessoas têm necessidades apenas de
ser ouvidas e abraçadas", contou Francielly.
Investir em vidas é sucesso
garantido, segundo Eliane, que também se
sente muito gratificada em atuar na
recuperação de pessoas. "Melhor do que
investir em construções é investir em
pessoas. O retorno é bem maior. Não o
retorno financeiro, mas sim os resultados.
É tão bom ver um jovem recuperado ingressado
no mercado de trabalho, é como dar a vida
novamente a ele. É dar uma oportunidade
para que eles enxerguem um novo futuro, onde
antes só viam a morte", disse Eliane.
E ainda que os maiores
beneficiados sejam os atendidos nesses
projetos, a Bíblia diz que melhor e mais
prazeroso é dar do que receber. Para o
cristão estender a mão aos excluídos e
necessitados é mais do que um gesto de
educação e generosidade. É seguir os passos
do Mestre Jesus, é cumprir o maior dos
mandamentos de Deus, é encontrar a real
felicidade e razão de viver nesta Terra.
Agora, apesar das iniciativas
já realizadas, os trabalhos desta seara
ainda são poucas, se comparadas às
necessidades. Há filas de espera em
clínicas de recuperação. Há presidiários
saindo das cadeias, para voltar a uma vida
de criminalidade. Todo o trabalho
desenvolvido até aqui é muito pouco.
Fonte: Fabiana Tostes
(Jornalista e Repórter)
CONCLUSÃO
Veja o que a Palavra de Deus,
relata sobre o assunto mencionado acima:
"Então dirá o Senhor aos que estiverem à sua
esquerda: Apartai-vos de mim, malditos,
para o fogo eterno, preparado para o diabo e
seus anjos. Pois tive fome e não me deste
de comer; tive sede e não me deste de beber;
fui forasteiro e não me recolhestes; estive
nu e não me vestistes; enfermo e preso e não
me visitaste. Então eles responderão:
Senhor quando te vimos assim e não te
servimos? Então o Senhor responderá: Em
verdade vos digo, que todas as vezes que o
deixaste de fazer a um destes pequeninos,
foi a mim que deixaste de fazer. E irão
estes para o castigo eterno, mas os justos
para a vida eterna." (Mateus 25: 41-46)
Obs: Por favor, encaminhe
esse alerta e essa verdade aos seus
contatos!!!
Pr. Benedito Campos |