|
TESTEMUNHOS
Itai, 11 de Outubro de
2001
Aos Amados do
Embaixador em Cadeias
“Graça e Paz no
Senhor”
Louvo a Deus por
conhecer mais um órgão que tem se colocado na
brecha, a disposição de nosso Senhor Jesus.
Sabemos que o ministério cumprido em prisões não é
muito procurado, porém, Deus tem homens e mulheres,
específicos para essa grande necessidade, como está
escrito em Hebreus 13:7 “Lembrai-vos dos presos,
como se estivésseis presos com eles, e dos
maltratados, como sendo-o vós mesmos também no
corpo.” Quando Jesus disse “Ide por todo mundo”, ele
também referia-se as prisões, homens e mulheres com
imagem e moral degradada: homens, mulheres e
adolescentes que não tem mais esperanças, que já
não sonham mais, esquecidos, desamparados, culpados
e condenados... “Graças a Deus que onde abundou o
pecado, superabundará a graça de Deus...”
Meu nome é Ezequiel,
sou presidiário, e vivia nestas circunstâncias,
havia perdido tudo, porque pequei contra Deus e
contra os homens. A Bíblia diz que “o diabo veio
para roubar, matar e destruir...” e é verdade, mas
graças a Deus que “Jesus veio para dar vida e vida
em abundância”.
Quando encontrei-me
com Jesus, tudo estava perdido para mim, viciado nas
drogas, prostituição, condenado a morte pelos
companheiros de cárcere, perdendo cada dia minha
família que nunca imaginaria, que minha vida tomaria
esse rumo, mas quando para mim, tudo estava
perdido, e era o fim, para Jesus NÃO, era apenas o
começo de uma nova vida, que eu nunca imaginaria que
existisse. Foi por suas orações, contribuições e
esforços que um dia eu cheguei até Jesus, ele se
revelou a mim, porque você orou assim: “...Ah Jesus,
eu não posso ir até onde estão essas vidas, que tem
e foram enganadas por Satanás, mas tu Senhor podes
ir no presídio, hospital, asilo, creches,
leprosários e outros lugares. Senhor visita aqueles
lugares e se revela a essas pessoas, curando,
libertando, batizando-os e preparando-os para o
céu...”
Foi através de homens
e mulheres de Deus, que com certeza, nunca vou saber
quem é, mas que tem compromisso com o Deus que
serve. Eu louvo a Deus pelas vossas vidas e isso
inclui com muito amor O Embaixador em Cadeias.
Lembro-me de ter
ouvido um testemunho de um pastor literalmente
falando amigo nosso, e ele relatou algo que
impactou, a minha fé, e chamada missionária. Ele um
pastor renomado, pregava em uma cidade de Minas
Gerais, em uma festividade congregacional, ao
termino daquele culto um irmão apresentou-se ao
pastor e disse que sentiu da parte de Deus de
convida-lo para ir com ele no outro dia pela manhã à
penitenciária daquela cidade. O Pastor nem entendeu
o porque aceitou e disse sim, aquele homem. Pela
manhã do outro dia o pastor se levantou, preparou-se
e dirigiu-se ao lugar marcado, para encontrar o
irmão. Ao se encontrarem, dirigiram-se a estação de
trem. O pastor ficou a observar, domingo aquela hora
da manhã, e quanta gente dentro daquele vagão,
muitas mulheres e crianças, senhoras de idade,
homens e rapazes, todos com os semblantes sérios,
preocupados, percebia-se que não estavam indo para
nenhum lazer dominical. O trem chega ao seu destino
e foi se esvaziando. O pastor junto com o irmão
desceram, e ao saírem na estação, estavam de frente
com a penitenciária.
Durante a viagem, e a
chegada ao presídio, o evangelista nada disse.
Depois de enfrentaram uma enorme fila, o pastor
ficou inconsolado com o rigor e dureza da revista,
uma vez dentro do sistema, ele observava, os
corredores gelados e sem nenhuma vida. Como que
familiarizado o irmão ia na frente conduzindo o
pastor que observava tudo e percebia que a cada
passo seu coração estava ficando tão frio quanto
aquele lugar.
Quando entraram no
pavilhão onde se encontravam os detentos, pode ver
uma massa de homens emaranhados, todos olhando para
o mesmo lugar, o portão. Por um segundo, todos
olharam para eles, mas três passos depois, os mesmos
olhos, olhavam por cima de seus ombros, na esperança
que o próximo(a) a entrar, fosse a almejada visita.
Dentro do pavilhão, viu alguns homens, forçando um
sorriso, outros cabisbaixos e outros ainda
melancolicamente deprimidos. Quando percebeu,
estavam entrando em um pequeno e desconfortável
salão. Ali meia dúzia de homens, ocupavam os poucos
bancos de caixotes, o irmão dobrou seus joelhos ao
lado de um improvisado púlpito. Depois trocou
algumas poucas palavras com um dos detentos,
possivelmente o dirigente interno, e este passou o
andamento do culto para nós. Sem nenhum instrumento
o irmão entoava quase sozinho e desafinado os
louvores, enquanto eu observava o rosto daqueles
poucos participantes do culto daquela manhã, o
pastor percebeu que eles não tinham outra opção, não
tinham visitas, nem pais e nem mães, nem filhos e
nem esposas, não havia opção para aquela manhã...
então... porque não ouvir o culto dos irmãos.
O irmão passou-me a
oportunidade, confesso que, como pastor e orador
fiquei sem palavras. Abri a Bíblia percebia que eu
falava e eles estavam ali; impenetráveis,
intransponíveis, era como se eu não conseguisse
mover os sentimentos daquelas vidas, agradeci a
oportunidade e voltei a palavra ao irmão.
Rusticamente o irmão nem abriu a Bíblia e começou a
testificar de Jesus; lembrei-me que na noite
anterior eu via-me diante de uma grande platéia que
vibrava, diante da mensagem que eu pregava, pessoas
sendo batizadas no Espírito Santo, almas rendendo-se
ao Senhor. Quando voltei a mim, o irmão ainda
testificava, ele não tinha uma boa oratória, nem
mesmo teve uma oportunidade de cursar um bom curso
teológico, muito menos falava bem, mas ele tinha o
Espírito Santo de Deus e ao olhar para o rosto de
alguns, pude ver lagrimas rolando. Bruscamente da
mesma maneira que o irmão iniciou o testemunho ele
terminou e fez o apelo; ninguém aceitou , fomos
embora, e eu pensando em tudo que vi, mas não
consegui concluir nada no momento.
Chegamos a estação de
partida, e no mesmo silêncio que o irmão veio ele
voltou. Nos despedimos sem muito formalismo e voltei
para onde esta hospedado, nada comentei com minha
esposa, de minha experiência. Voltamos para São
Paulo e toda vez que eu ouvia falar de evangelização
em presídios, lembrava-me de minha experiência.
Cinco anos depois
voltei a Minas Gerais, pregava em uma cidade próxima
da ultima. Um culto avivadissímo, eu nem me lembrava
mais daquela experiência no presídio. Quando o culto
se findou, despedia-me dos irmão, quando uma
família se aproximou de mim, um homem de meia idade
com sua senhora e três filhos, pararam no meio fio e
sorriam para mim.
Tomado por aquela
simpatia, fui-me aproximando deles, ele, me estendeu
a mão, me abraçou, e perguntou-me: - “... O pastor
não se lembra de mim?...” Respondi - “... Olha
irmão, eu prego em tantos lugares, é tanta gente,
que ... não me lembro.” – “O Senhor não se lembra
do irmão João??” – “Irmão João, olha ... não me
lembro.”.
O homem sorriu abraçou
a esposa e com prazer disse-me: “O Senhor não se
lembra, há cinco anos atrás lá na penitenciária, num
domingo pela manhã, o pastor juntamente com o irmão
João, estiveram pregando ali, eu estava lá. Aquele
dia eu não levantei minha mão, mas a palavra ficou,
como se um rio de águas vivas brotasse em meu
coração. Eu não resisti, dias depois eu aceitei
Jesus e ele salvou toda minha família. Hoje estou em
liberdade física e espiritual. Glória a Deus...”
A esposa ao lado
sorria, afirmando com cabeça, os filhos me olhavam
com orgulho, e o homem apertava minha mão com
lagrimas. Não me contive chorei... O Espírito Santo
dizia-me, veja a importância da evangelização em
presídios, hospitais e outros lugares. Um planta
outro rega, mas Deus é que dá o crescimento.
O que aprendemos aqui.
Graças a Deus que Ele tem levantado O Embaixador
em Cadeias e outros órgãos para trazer-nos este
alimento espiritual, muitos jamais serão renomados,
reconhecidos pelas mídias da vida, mas serão com
certeza galardoados pelo Senhor da Seara. Elias
pensou que só ele, estava na peleja contra o mal,
mas Deus lembrou-o “... Elias existem sete mil,
servos meus, desconhecidos, mas que não se
prostraram diante de baal...”
O escritor aos Hebreus
da testemunho desses homens desconhecidos “ Os quais
pela fé venceram reinos, praticaram a justiça,
alcançaram promessas, fecharam a boca de leões,.
apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da
espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se
poderosos na batalha,..., outros experimentaram
escárnio e açoites e até algemas e prisões, ...,
foram apedrejados, foram tentados, serrados pelo
meio, ..., Dos quais o mundo não era digno.” Hb
11:33 a 38.
Bem, desde já gostaria
de agradecer o carinho de vossa recepção,
lembrando-vos que nós, a irmandade da penitenciária
de Itai – Raio III, estaremos orando pelo vosso
ministério.
Permaneçam todos no
paz do Senhor de seu conservo
Ezequiel P Leite /
Rod. Eduardo Saigh Km 292,5 / Caixa Postal 053 -
Itai - São Paulo / CEP 18730-000 / Raio III
Matricula 096.809 |
|